Make your own free website on Tripod.com
Web Swimming Brasil   by Michel Vilche
 

O nado Peito Moderno
Leandro Arboite Pereira e
Leonardo Boldrini da Mota

Na última década, um dos esportes que mais evoluíram tecnicamente, sem dúvida, foi à natação. Cada vez mais e mais pessoas, vem buscando a prática da natação como lazer, pela prescrição médica e também por esporte. As evoluções vão desde o condicionamento físico dos atletas como também a tecnologia empregada na confecção de roupas que buscam melhorar cada vez mais o desempenho dos nadadores.

Dentre os quatro estilos competitivos, o nado de peito é certamente o que mais avançou em técnica e modificação de estilo, mesmo sendo o mais lento dos nados, o “peito” através de seus nadadores e estudiosos, vem diminuindo progressivamente seus tempos e melhorando seus desempenhos.

De acordo com McCauley (1998), podemos dizer que hoje em dia existem três estilos diferentes de nado de peito: o convencional (plano), o ondulado e a onda (moderno).

O estilo convencional (plano) – Este estilo era o mais utilizado para o aprendizado de adultos e crianças, mas aos poucos esta sendo mudado; com um deslocamento horizontal forte provocado pela ação da pernada, o corpo desliza sem elevação de ombros no momento da respiração.

O estilo ondulado – com o movimento de tronco semelhante ao da ondulação do golfinho, consiste em um forte movimento de braço buscando a maior elevação possível no momento da respiração e um movimento de perna para trás e para baixo provocando um “encaixe de quadril” para a execução do deslize e projeção à frente. Este estilo requer de seu praticante extrema flexibilidade.

O estilo onda (moderno) – Atualmente, este estilo inventado pelo treinador húngaro Jozsef Nagy e segundo Santos (1996), aperfeiçoado por Mike Barrowmam (medalhista de ouro olímpico em Barcelona nos 200m, com o tempo de 2:10: 16) é o mais praticado hoje por nadadores de elite de todo o mundo.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o estilo onda (moderno), do nado de peito, não é tão difícil de aprender; tudo que se precisa fazer são mudanças, por exemplo, no ângulo ao qual as mãos são lançadas, a velocidade de execução da pernada, o momento da respiração, e outros.

Para melhor esclarecer estas mudanças e as novas tendências técnicas no estilo do peito moderno, faz-se este artigo.

Alongamento ou Torpedo (Deslize):

Fase dada ao término da pernada onde o corpo alcança sua maior velocidade em projeção horizontal, para frente, acontecendo assim o deslize.






Varredura para Fora:

Segundo Maglischo (1999), esse não é um movimento propulsivo, sua principal finalidade está em posicionar corretamente os braços para a geração de força propulsiva na varredura para dentro. A varredura para fora começa com a movimentação dos braços para fora e para frente. As palmas das mãos estão voltadas para baixo ao começar a varredura, girando-as lentamente para fora ultrapassando a linha dos ombros começam a se movimentar para baixo até o ponto de agarre.

Para Salo (1998), esta fase da braçada chamada de Outsweep é a fase de preparação para o momento propulsivo.

De acordo com Laughlin (1999), esta fase da braçada é chamada de “Y”; Neste momento as mãos não devem sair da água, cada polegada de braçada é movimento. Depois de realizado o deslize ou torpedo, o tórax continua a apoiar-se sobre a água e a elevar os quadris, quando se executa uma varredura para fora realizando a posição semelhante à de um “Y” . Esse momento não requer força, mão, pulso e antebraço, devem trabalhar como um só. É preciso “ancorar” as mãos na água como se houvessem degraus onde agarrar e puxar o corpo. Importante sempre manter o alinhamento entre a coluna cervical e torácica.

Varredura para Dentro:

Fase onde o nadador sai da posição do Y e pressiona a água para baixo e para dentro. Os cotovelos permanecem elevados, e as mãos e antebraços giram para baixo e para dentro em torno deles, esta fase termina quando as mãos estão se aproximando e unindo-se sobre o peito, conforme Maglischo (1999) e Laughlin (1999).

Para Salo (1998), Esta é a fase em que a velocidade do braço vai aumentando, neste momento a parte interna dos braços apóia na água, pela conclusão do mesmo, o nadador começa a unir as mãos quase tocando os cotovelos até o início da fase seguinte, os ombros se elevam durante o deslocamento.

Elevação para respiração:

A cabeça não se ergue na respiração. Durante todo tempo deve-se manter o alinhamento da coluna cervical e coluna torácica, a elevação deve ser feita pela ação de uma braçada eficiente e não por contração dorsal, Laughlin (1999).

Os nadadores devem estar olhando para baixo com sua cabeça encaixada entre os braços, enquanto estes se estendem para frente antes do inicio da braçada. A fase começa a se erguer para a superfície enquanto os braços movimentam-se para fora, a cabeça deve estar na superfície ao ser executado o agarre. Depois que a cabeça atingiu a superfície, o movimento descendente dos braços completará o levantamento da face, de modo que a boca estará acima da superfície enquanto os braços fazem a varredura para dentro. Maglischo (1999)

Recuperação:

Para Maglisho (1999), a recuperação dos braços começa quando as mãos estão aproximadamente a meio caminho em seu movimento para dentro. Os nadadores devem diminuir a pressão contra a água e “apertar” seus braços para baixo e para dentro abaixo dos ombros. As palmas da mão devem girar para dentro e para cima, e os cotovelos devem aproximar-se um dos outros, por baixo do corpo, enquanto as mãos deslocam-se na direção da superfície. Elas devem ser giradas para baixo, e os cotovelos devem ser mantidos juntos, de modo que os braços assumam a forma de uma seta ao se estenderem para frente.

Para Salo (1998), esta é a fase em que os braços se estendem à frente com os cotovelos próximos e as mãos unidas. Se essa fase deve acontecer sobre ou debaixo da superfície da água não é tão importante como enfatizar que as mãos não devem ser erguidas fora da água. Neste momento as mãos estão a uma posição mais alta que os cotovelos movendo-se adiante por baixo.

Laughlin (1999), define esta fase como Estocada. Neste momento, a cabeça alcança seu ponto mais alto. Os braços seguem a frente em uma linha compacta. Os quadris estão na melhor posição possível onde serão utilizados para lançar o corpo à frente com a execução da pernada (arco e flecha - o corpo se torna um arco que armazena energia nos quadris, em seguida, se torna uma flecha mergulhando a frente e liberando a energia armazenada no quadril).

Laughlin (1999), ainda define a fase seguinte como Mergulho (Entrada), ou seja, no momento de alongamento da estocada, o ângulo de reentrada é o ponto principal onde se tenta criar o maior comprimento possível de onda. O braço deve ser estendido antes da face reentrar na água, enquanto a coroa da cabeça acompanha as pontas dos dedos a diante.

A energia potencial criada que ergue o corpo sobre a água é convertida em energia cinética para a progressão à frente.

Reiniciando o ciclo novamente: Torpedo (Deslize), Varredura para Fora, o “Y” (Agarre), Varredura para Dentro, Estocada e Mergulho (Entrada).


A PERNADA DO NADO PEITO

Entre todas as pernadas, a pernada de peito não tem igual. Em todas as outras pernadas os membros superiores contribuem com 60 a 90% do poder propulsivo, com as pernas fazendo um papel secundário, em alguns casos fazem um pouco mais que estabilizar o corpo ou ajudar na rotação. No nado de peito a relação dos braços com as pernas para “peitistas nascidos” com uma grande pernada, as pernas podem promover 80% de propulsão, conforme Terry Laughlin (2001).

O estilo de pernada mais utilizado atualmente pela maioria dos nadadores de classe mundial praticantes do nado de peito é, na verdade uma movimentação diagonal das pernas (à semelhança de uma hélice), em que os pés palmateiam para fora, para baixo e para dentro e bem como para traz. As solas dos pés são as superfícies propulsivas principais, deslocando água para trás como fólios, e não empurrando para trás como remos. Há quatro fases: recuperação, varredura para fora, varredura para dentro e sustentação(deslize), de acordo com Maglischo (1999).

A recuperação

Segundo Maglischo (1999), depois de completada a fase propulsiva da braçada, as partes inferiores das pernas são conduzidas para frente até que estejam muito perto das nádegas. Os nadadores devem deixar cair os quadris e inclinar o corpo para baixo, desde a cabeça até os quadris, de modo que possam fazer a recuperação das pernas sem que ocorra flexão dos quadris.

Os pés devem deslocar-se quase diretamente para frente, dentro dos limites dos quadris. Os dedos dos pés devem estar apontados para trás (pés estendidos). Os joelhos devem separar-se durante esta fase a fim de manter as partes inferiores das pernas e os pés dentro dos limites do corpo, mas não devem separar-se mais que a largura dos ombros, ou isso aumentará o arrasto.

Varredura para fora

As pernas fazem movimentos circulares para fora e para frente ao se aproximarem das nádegas para realizar a transição entre a recuperação e a varredura para fora. Depois disso, continua o movimento circular para fora e para trás até a posição de agarre. O agarre é executado no meio do caminho do trajeto do movimento dos pés para fora. A velocidade dos pés deve desacelerar durante a varredura para fora, até que eles sejam impulsionados para frente pelo corpo ao ser executado o agarre. Maglischo (1999).

Varredura para Dentro

Segundo Maglischo(1999) A varredura para dentro e a única fase propulsiva da pernada do nado de peito. As pernas movimentam-se para baixo, para trás e para dentro até que estejam completamente estendidas e praticamente unidas atrás do nadador. As solas dos pés estão giradas para baixo e para dentro até ter-se completado o movimento.

SINCRONIZAÇÃO DO NADO

Há disponível na literatura inúmeros artigos que citam três estilos gerais de sincronização do nado de peito: Continuo, por deslizamento e por superposição. Neste artigo falaremos sobre a sincronização por superposição no qual é defendida por Ernest W. Maglischo no qual esta toda base bibliográfica deste artigo.

Segundo Maglischo (1999), o melhor modo de eliminar, ou de pelo menos, reduzir o período de desaceleração entre o final da fase propulsiva da pernada e o inicio da fase propulsiva do braçada consiste em utilizar a sincronização por superposição. A relação entre a pernada e a braçada deve ser tal que os braços executem seu agarre quase que imediatamente depois de terminar a fase propulsiva da pernada. Essa sincronização é seguida pelo movimento dos braços para fora, quando as pernas estão se movimentando para dentro durante a fase final da varredura para dentro. Embora sua rápida velocidade de movimento vá aumentar o desperdício de energia, provavelmente será mais rápido nadar dessa forma do que guardar energia ao dar menor número de braçadas com uma velocidade média mais baixa por braçada.

PS: Todo o conteúdo abaixo publicado é de responsabilidade dos autores acima citados.

-------------------------------------------
Bibliografia

1. Maglischo, Ernest W. Nadando Ainda Mais Rápido”. 1999
2. Laughlin, Terry. “ Six Steps To a better Breaststroke Kick “. Total Immerson. 2001
3. Laughlin, Terry. “ Breaststroke Breakthrough “. Fitness Swimmer.1999
4. Salo, David. “ Teaching Breaststroke”. 1998
5. McCauley, Wayne. “ The Modern Breaststroke “. 1999

Material cedido por:
Leandro Arboite Pereira
Graduação em Educação Física . ESEF/UFRGS
Técnico da Equipe Máster da “ Stillo Natação – Poá/RS ”


Leonardo Boldrini da Mota
Graduação em Educação Física. ESEF/IPA
Especialização em Pedagogia do Treinamento Desportivo. ESEF / UFRGS
Técnico da Equipe Máster da “ Stillo Natação – Poá / RS


 

Apresentação   •  Dicas  •  Downloads  •  Entrevistas  •  Informativos
Curiosidades  •  Pesquisas  •  Prof. Michel Vilche  •  Contato

 

Copyright © 1997-2008 Web Swimming - by Michel Vilche - Todos os Direitos Reservados
Entre em Contato HOME