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Web Swimming Brasil   by Michel Vilche
 

Relação entre Velocidade em Natação e Concentração Láctica Durante Exercícios de Treinamento Contínuos e Intermitentes

J. Olbrecht, O Madsen, A Mader, H. Liesen, and W. Hollmann
Instituto de Investigação da Circulação e Medicina do Esporte da Escola Superior de Esportes Alemã de Colônia, R. F. Alemã

Tradução: Flávio de Souza Castro

J. Olbrecht, O Madsen, A Mader, H. Liesen, and W. Hollmann Instituto de Investigação da Circulação e Medicina do Esporte da Escola Superior de Esportes Alemã de Colônia, R. F. Alemã
(tradução: Flávio de Souza Castro)Resumo O presente estudo examinou a relação entre a concentração de ácido láctico no sangue capilar e velocidade de natação durante 11 típicos exercícios de resistência (natação contínua por 30 e 60min, natação intervalada em distâncias entre 50 e 400m e com intervalos de descanso de 10 e 30s) e durante o teste de duas velocidades recentemente descrito por Mader. Esperou-se que uma melhor compreensão dessas relações poderiam fornecer evidências de como ajustar intensidades de treinamento a partir dos resultados obtidos do teste de duas velocidades.

Cinqüenta e nove nadadores de nível nacional da Alemanha participaram deste estudo. Depois de um teste de 30min nadando em máxima velocidade, a média da concentração de ácido láctico encontrada foi de 4,01 + - 0,75mmol/l. A velocidade média correspondente foi similar à velocidade (V4) calculada para o nível de 4mmol/l baseada nos resultados do teste de duas velocidades (2x400). Durante 30min de natação contínua entre 95 e 105% da velocidade V4, houve correlação significativa (r=0,82; P<0,001) entre a velocidade em natação e a concentração de ácido láctico. No teste máximo de 30min, a velocidade V4 correlacionou-se significativamente com concentração de ácido lático (r=0,97; P<0,001). Durante os exercícios intervalados com períodos de descanso de 10s, as velocidades em natação corresponderam ao mesmo nível de ácido láctico durante a natação contínua, aumentando para 50, 100, 200 e 400 em 11,23%, 4,21% , 2,95%, e 2,02% da velocidade V4, respectivamente. Com períodos de descanso de 30s, a velocidade em natação para os 100, 200 e 400m aumentaram em 7,34%, 4,22% e 3,01% da V4, respectivamente. Em contraponto de uma velocidade constante em natação durante as séries intervaladas com períodos de descanso de 30s, encontramos uma diminuição significativa do ácido láctico entre a primeira e a terceira repetição.

Palavras-chaves: exercícios de resistência, treinamento físico, natação, ácido láctico, limiar anaeróbio.

Introdução

Uma correlação direta entre a concentração de ácido lático no sangue capilar e a carga de trabalho tem sido retratada para exercícios os quais envolvem igualmente o metabolismo aeróbio e anaeróbio. Baseada nesta relação, a capacidade física de trabalho pode ser avaliada com alta precisão em muitas disciplinas esportivas (1-5,10-14,17-19,22,23,26-19).

O objetivo deste estudo foi tentar obter informações de um teste de natação - com ou sem mensurações de ácido lático - sobre como ajustar a intensidade individual durante o treinamento de resistência. A relação entre o ácido lático e a velocidade durante exercícios típicos realizados durante o treinamento de resistência de natação foi comparada com o resultado de duas velocidades, recentemente descrito por Mader et al.(17).

Metodologia

A capacidade de resistência individual de 59 nadadores alemães de alto nível foi avaliada pelo teste de duas velocidades de Mader et al.(17). Os atletas perfizeram 2 tiros de 400m a uma velocidade constante; o primeiro tiro a uma velocidade sub-máxima (ca. 85% do melhor tempo), o segundo tiro com a mais alta velocidade possível. Os dois tiros foram separados por 20min de intervalo de descanso. Antes e aos 1, 3, 5 e 7 minutos após cada tiro, 20ml de sangue capilar foi retirado do lóbulo da orelha para determinar a concentração de ácido lático. Por procedimento matemático (17), a concentração de ácido láctico para uma velocidade predeterminada ou vice-versa (velocidade para uma predeterminada concentração) foi calculada (Fig. 1).

O limiar anaeróbio é geralmente definido como a intensidade de exercício a uma concentração de ácido lático de 4mmol/l (5.6.8-11). Vários estudos, entretanto, mostraram que o limiar anaeróbio individual pode ser encontrado acima ou abaixo de 4mmol/l (3, 5, 13, 23, 27, 28). Neste presente estudo, a velocidade em natação em 4 mmol/l (=V4) foi escolhida como critério da capacidade aeróbia em natação, independentemente do uso na definição do limiar anaeróbio individual. Intensidades de treinamento foram expressas como percentuais da velocidade em natação em lactato em uma concentração de 4mmol/l e em conformidade a valores individuais poderiam ser comparados.

Durante um período de 30 dias, três diferentes séries de testes (cada totalizando a distância de 2400m) foram realizados em uma piscina de 50m (Fig. 2). A velocidade de natação durante todo o teste foi mantido a mais constante possível.

Na primeira série dos testes, os atletas foram incentivados a nadar a maior distância possível em 30 e 60min. As velocidades em natação (V30max e V60max, respectivamente) foram registradas. Durante os dias seguintes, o teste de 30min foi realizado em 90% e 95% da V30max (Fig. 2). Nas séries subseqüentes, os atletas participaram em um período de 7 dias de 4 testes intervalados (6x400m, 12x200m, 24x100m e 48x50m) com intervalos de descanso de 10s entre cada tiro de acordo com o esquema apresentado na Fig. 2. Exceto para os 48x50m, os mesmos testes intervalados foram repetidos com 30s de intervalo de descanso durante a terceira fase de testes (Fig. 2).

A concentração de ácido láctico foi determinada em 20ml de sangue capilar retirado do lóbulo da orelha antes e 1, 3 e 5min após cada teste assim como durante os 30s de descanso (terceira fase). Para controlar a capacidade de resistência durante todo o período de testes (30 dias), um teste de duas velocidades foi incluído antes e depois de cada uma das três fases de testes.

O teste Newman-Keuls foi utilizada para avaliar as diferenças estatisticamente diferentes entre as médias. P > 0.05 foi considerado como não significativa. Todos os procedimentos matemáticos foram feitos com DIGITAL 11/24 DEC.

Resultados

A média da velocidade máxima em natação encontrada durante o teste de 30min (1.361 +-0.057m/s) foi significativamente maior em relação ao teste de 60min (1.341 +-0.095m/s, P <0.05). Ambos valores, entretanto, não diferem de maneira significativa da velocidade em 4mmol/l de concentração de ácido láctico (=V4=1.353+-0.066m/s), determinada pelo teste de duas velocidades (Fig. 3). A média da concentração de ácido láctico após o teste de 30min foi de 4.01+-0.75mmol/l e pareceu ser significativamente maior P < 0.05) do que após o teste de 60min (3,01+-0.60mmol/l). Depois dos 30min nadados a 95% da velocidade máxima individual, uma significativa diminuição (P < 0.05) da média da concentração de lactato (de 4.01+-0.75 a 2.11+-0.58mmol/l) foi observada. A 90% da velocidade máxima, a concentração de lactato a concentração de ácido láctico não diferiu daquela encontrada após o teste a 95% (Fig. 3). Uma correlação significativa positiva (r=0.97; P< 0.001) foi encontrada entre a velocidade máxima no teste de 30min e a velocidade em natação a uma concentração de ácido láctico de 4mmol/l durante o teste de 2x400 em duas velocidades (V4).

No intervalo entre 95%-105% da V4, a velocidade em natação durante os testes de 30 min correlacionaram-se significativamente e positivamente à concentração de ácido láctico (r=0.82; P , 0.001, Fig. 4).

Nos mesmos atletas houve uma significante e negativa correlação (r=-0.82; P <0.005) entre a máxima concentração de ácido láctico após o teste de 30min em máxima velocidade e a velocidade em natação obtida na concentração de 4mmol/l no teste de duas velocidades de 2x400m (V4). Houve, também, uma correlação negativa (r=-0.81; P <0.01) entre esta V4 e o percentual de V4 que poderia ser mantido durante o teste de 30min em velocidade máxima.

Durante os testes intervalados, a velocidade em natação aumentou quando as distâncias ficaram menores (de 400, 200, 100 a 50m). Durante os 24x100m e os 48x50m, a velocidade de natação foi significativamente mais alta do que a velocidade em natação a 4mmol/l no teste de duas velocidades de 2x400m (P<0.01). Durante os testes intervalados com a mesma distância acima um aumento adicional na velocidade ocorreu quando prolongado o intervalo de 10 para 30s. Este aumento, entretanto, foi significativo apenas durante os 24x100m (p<0.05). Após todos os testes intervalados, a concentração de ácido láctico permaneceu abaixo do nível de 4mmol/l. Diferenças entre a média dos valores de ácido láctico pós exercício dos testes intervalados com 10 e 30s de intervalo de descanso não foram estatisticamente significantes.

Para o mesmo nível de ácido láctico, um aumento da velocidade em natação (expressa com % da V4) durante os testes intervalados com 10 a 30s de período de descanso foram calculadas quando comparados aos 30min de natação contínua. Para os 6x400m, encontramos um aumento de 2,02% e 3,01% sobre a V4, respectivamente, para os 12x200 um aumento de 2,95% e 4,22%, para os 24x100m um aumento de 4,21% e 7,34%, respectivamente, e para os 48x50m com 10s de descanso 11,23% em relação a V4.

O primeiro 400m dos 6x400m do teste intervalado com intervalo de 30s foi nadado a uma velocidade que, de acordo com os resultados individuais do teste de 2x400 em duas velocidades, uma concentração média de ácido lático de 3,40+-0.47mmol/l fosse esperada. A concentração média de ácido láctico mensurada após este primeiro de 400m (3,47+-0.49mmol/l) foi extremamente próximo ao valor médio de ácido láctico esperado. Durante o próximo tiro de 400m, a real concentração de ácido láctico decresceu para 2,48+-0,43mmol/l e permaneceu neste nível durante as repetições subsequentes. Diferenças significativas entre os valores reais e calculadas de ácido láctico foram encontrados (P<0,005; Fig. 6). A mesma observação foi feita durante os 12x200m e os 24x100m nos testes intervalados com períodos de descanso de 30s.

Discussão

Após o teste de 30min em natação máxima, encontramos um pico médio pós-exercício no valor da concentração de ácido lático de 4,01+-0,75mmol/l e uma velocidade média de natação de 1,353+-0,057 m/s. Esta velocidade média correspondia intimamente à média de velocidade a um nível de ácido láctico de 4mmol/l no teste de duas velocidades de 2x400m (=V4), não obstante, desde que os percentuais de V4, podem ser mantidos durante o teste máximo de 30min, diminuições com aumento no nível de V4, uma estimativa válida da V4 sem uma mensuração de ácido láctico parece apenas ser possível pela resolução da equação V4 = 1,367 x V30max –0,509 (V30max = máxima e contínua velocidade em natação obtida durante o teste de 30min nadando). A forte correlação entre intensidade ( = velocidade em natação expressa em percentual da V4) de um exercício de 30min nadando e a concentração de ácido láctico torna possível o ajuste da intensidade em exercício prolongado usando percentuais da V4. Parece, entretanto, que quanto maior a capacidade de resistência do nadador, menor os níveis de ácido láctico ele irá tolerar.

A partir e um modelo matemático para o suprimento de energia durante o exercício, proposto por Mader et al. (16, 17), pode ser deduzido que durante um tempo reduzido de descanso de 10s uma considerável regeneração da creatina-fosfato ocorre. Pelo prolongamento dos períodos de intervalo, o suprimento de energia originado pela creatina-fosfato aumento. Consequentemente, uma elevada velocidade em natação para um dado nível de ácido láctico é possível. Em contraponto de uma constante carga de trabalho durante os exercícios intervalados com um período de descanso de 30s, uma diminuição na concentração de ácido láctico foi observada (Fig. 6). Desde que a regeneração das reservas de creatina-fosfato durante os 30s de intervalo pode nunca chegar aos níveis de pré-exercício, uma média mais alta no total do consumo de oxigênio durante as seguidas repetições pode ser responsável por esta diminuição. Até o momento, a pergunta se um aumento da carga de trabalho durante as séries pode ser considerada um mais efetivo "stress" no sistema aeróbio não pode ser respondida.

 

Fonte: Flávio de Souza Castro


 

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