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Web Swimming Brasil   by Michel Vilche
 


Suplementação de Creatina-Monofosfato para Nadadores Competitivos
(primeiro (ATP) e segundo (PCr) sistema de fornecimento de energia)

As mais altas concentrações de Creatina no corpo se encontram na musculatura esquelética. (95% do pool de creatina total) sob forma livre e fosforilada ou fosfocreatina (PCr) Outros tecidos que contém quantidades significativas de Cr são o músculo cardíaco, cérebro, espermatozóides e retina. Esta distribuição indica que a Cr é transportada pela corrente sangüínea do local da síntese para o local de utilização. As concentrações de Cr e PCr correlacionam com a capacidade glicolítica dos diferentes músculos esqueléticos. As fibras musculares tipo IIa e IIb (ação rápida) contém altas concentrações enquanto que as fibras musculares tipo I (ação lenta) contém menores concentrações. Nos indivíduos saudáveis a concentração de creatina (Cr) total muscular varia de 100-160 mmol/kg de tecido com uma concentração média de 125 mmol/kg tecido. Porém, no indivíduo com desgaste muscular e na vigência de doença, a concentração se encontra diminuída.

Os mecanismos de produção de energia básica na contração muscular serão detalhados de forma prática em pequenos tópicos como se segue;

Os eventos mecânicos da contração muscular se originam através de uma complexa interação entre a actina e miosina durante a qual a adenosina trifosfato (ATP) é hidrolisada a adenosina difosfato (ADP). A concentração de ATP no músculo é suficiente apenas para um número limitado de contrações e, não difere entre as espécies assim como tipos de fibras. Por outro lado, a taxa máxima de hidrólise da ATP, isto é, reação exergônica na qual o músculo pode desenvolver sua potência máxima instantânea e é imposta pela atividade máxima da enzima ATPase da fibra muscular. Esta enzima controla a velocidade do processo e varia significativamente entre as fibras tipo I (fibras de ação lenta ST) e fibras tipo II (fibras de ação rápida FT).Músculos com capacidade de desenvolver nível de "pique" máximo de potência (W) acontecem apenas naqueles que contém uma grande proporção de fibras tipo II (80% ou mais do conteúdo total de fibras tipo II, que são geneticamente adquiridas). Como acontece em nadadores "sprinters" com reação de alta potência (potência instantânea) e curta duração (tempo) e/ou distância (metragem).

Produção do "pique" de potência (W): Como dito anteriormente, a hidrólise do ATP como desenvolvimento de W é um processo instantâneo A cinética da ressíntese de ATP é um processo extremamente rápido. O ATP é ressintetisado pela transferência de um grupo P de alta energia da fosfocreatina (PCr) do ADP sem necessidade de oxigênio. O músculo, quando gera potência mecânica às custas de suas fontes endógenas de fosfato de alta energia (P) são ditas desenvolver "débito de O2 alático", isto é, que pode ser pago ou recuperado durante o período de recuperação aeróbica.

A transferência de fósforo de alta energia da PCr para o ADP leva a uma diminuição progressiva de PCr muscular. As alterações nas concentrações de um ou mais dos metabólicos intermedários envolvidos na reação mencionada acima (reservas ou pool de ATP, PCr, ATPase) aumentam o nível de envolvimento do metabolismo oxidativo para manter de pronto a taxa de ressíntese de ATP através da via oxidativa (quarto sistema de fornecimento de energia, aeróbico). O terceiro sistema de fornecimento de energia é o sistema anaeróbico ou lático).

A suplementação oral de creatina monofosfato (Cr.H2O) têm sido apontada como responsável pelo aumento dos níveis de creatino-fosfato no músculo. A CrPh têm importantes funções no metabolismo da musculatura esquelética, incluindo, seu papel na ressíntese de ATP no sistema energético. A depleção das reservas de Cr.Ph. pode estar associada com início da fadiga muscular.

Pesquisas recentes sugerem que a suplementação oral de Cr.H2O pode aumentar os níveis de creatina livre e creatina monofosfato muscular.

Implicações e benefícios potencial na performance, através da suplementação de Cr.H2O, têm recebido atenção na literatura ligada a ciência no esporte. ( em vista da publicidade dada à performance dos atletas do atletismo ("sprinters") britânicos nos jogos Olímpicos de Barcelona de 1992 e o envolvimento da comunidade aquática na utilização deste suplemento).

Estudos recentes realizados em nadadores australianos ( Instituto do Esporte - Camberra, Austrália R.D. Telford) não sustentam a hipótese de que a suplementação de creatina aumente a performance numa sessão única de tiro ( 25, 50 e 100 metros ) em nadadores de elite altamente treinados.

COMENTÁRIOS:

De acordo com Willians (1992) auxílios ergogênicos podem ser classificadas em diferentes categorias, incluindo auxílio; mecânico, psicológico, farmacológico, fisiológico e nutricional. Ergogênico é derivado de um termo grego que significa "produção de trabalho", em relação a prática desportiva "implica em qualquer meio com intuito de realçar a utilização de energia seja, através do aumento da produção, aumento do controle ou aumento da eficiência energética"

A creatina é um composto natural internamente sintetizado pelo fígado, pâncreas e rins dos amino ácidos arginina, glicina e metionina. Além da síntese endógena, a Cr é também encontrada na dieta, principalmente peixe, carnes e outros produtos animais e quantidades insignificantes em vegetais.

Suplementos ergogênicos nutricionais não estão, até o momento, incluídos na lista do Comitê olímpico Internacional e da FINA como substâncias banidas, isto é, consideradas "doping"

Dentre as substâncias ergogênicas nutricionais que se suspeita terem um potencial aumento da performance, a creatina monofosfato tem sido uma das mais populares nos últimos anos.

Os efeitos da suplementação da creatina na performance do exercício têm sido razoavelmente estudada em pessoas sedentárias ou moderadamente treinadas sob condições de laboratório. Porém, pouco é conhecido a respeito da sua possível influência na performance do atleta altamente treinado. Mesmo com dados científicos disponíveis referentes aos efeitos da suplementação de creatina na performance do esporte, estes dados são limitados e controversos.

Parece que a suplementação de creatina é mais efetiva na melhora da performance em sessões repetidas de exercício de alta intensidade com curto espaço de tempo para recuperação ( menos de 1 minuto, talvez abaixo de 5 minutos). Após 10 minutos de intervalo entre sessões de exercício de alta intensidade ocorre fisiologicamente total ressíntese de creatina muscular. O aumento da performance tem sido atribuído a ambos, a uma disponibilidade aumentada de creatina muscular na fase inicial de uma sessão e, também devido a uma taxa aumentada de ressíntese de creatina fosfato durante o período de recuperação após uma sessão de tiros curtos de alta intensidade.

A suplementação de creatina não parece aumentar a performance de endurance , Além do mais, pode ser desfavorável à performance, talvez relacionada a um maior ganho de peso corporal, (1-2 kg de massa magra e água corporal).

Alguns fatores parecem servir de explicação para não melhora da performance com a suplementação de Cr. em nadadores sprinters. Os níveis de fosfocreatina não aumentam em resposta a suplementação pelo fato de que existe um limiar de creatina corporal (pool de creatina), acima do qual não é armazenada no músculo. ( nestes casos pode haver aumento da concentração renal de creatina levando a um potencial aumento da carga de soluto renal). É possível que alguns ou todos os nadadores tenham altos níveis iniciais (repouso) de creatina muscular, não respondendo neste caso a suplementação de creatina. De fato, Greenhaff e col. reportaram recentemente que atletas, com níveis iniciais acima de 120 mmol.kg.peso seco de músculo, obtiveram pouco benefício na taxa de ressíntese de fosfocreatina após período de recuperação do exercício intenso.

Teoricamente, os nadadores podem se beneficiar com suplementação de creatina:

aumentando as reservas de PCr, que pode aumentar a capacidade de manter a potência máxima durante eventos de curta e média distância.

facilitando a recuperação nas sessões repetidas de exercício de sprinter, na qual melhora a qualidade do treinamento;

promove ganho de tecido magro, com ganho na força e potência

Estes benefícios se apresentam de forma diferenciadas em função dos objetivos dos trabalhos de pesquisa a que se propõem e, que dependem da; dosagem utilizada (doses altas e baixas), tempo de utilização (suplementação por período curto e longo), momento de sua utilização (suplementação durante o treinamento e competição), modalidade de esporte (tipo de esforço físico intermitente e cíclico) e tipo do atleta (atleta com características velocista, meio fundista e fundista).


Colaborador da Web Swimming:

Dr. MARCUS F. BERNHOEFT
(Diretor do Depta. Médico da CBDA)

Email: bernhoef@antares.com.br

 


 

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